abril 28, 2004

Russel III

A propósito da palestra proferida por Bertrand Russel, a 6 de Março de 1927 na "Câmara Municipal" de Battersea, sob os auspícios da Nacional Secular Society, Inglaterra, com o título «Porque não sou cristão».


Deste texto traduzido, abordamos “O argumento da causa primeira”, em 10 de Fevereiro, depois “O Argumento da Prova Teológica” da Existência de Deus (Desígnio Divino), num post de 10 de Março. Agora propomo-nos  falar de “Os argumentos morais a favor da Deidade”, quando o filósofo diz :


(…)The point I am concerned with is that, if you are quite sure there is a difference between right and wrong, then you are then in this situation: is that difference due to God's fiat or is it not? If it is due to God's fiat, then for God himself there is no difference between right and wrong, and it is no longer a significant statement to say that God is good.(…)


(...) O ponto em que estou interessado é que, se estamos tão certos de que existe uma diferença entre o bem e o mal, nos achamos, então, na seguinte situação: é essa diferença devida ao fiat (faça-se) de Deus ou não? Se é devida ao fiat de Deus, então não existe, para o próprio Deus, diferença entre o bem e o mal, e não constitui mais uma afirmação significativa o dizer-se que Deus é bom.(…)[bold nosso]

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Tomar Deus como mau, não constitui hipótese que nos sirva. Ser Deus mau e bom ao mesmo tempo também não, pelo que trabalharemos com a hipótese de que Deus é bom, sendo que Bem e Mal não são sinónimos de Felicidade e Sofrimento. Temos ainda que definir, senão o bem, pelo menos o mal; concordaremos que é muito bem aceite a ideia de que, por exemplo, matar uma pessoa para a roubar, é em si uma coisa má e exemplo de um mal.


Russel é o único responsável por ter escrito a palestra. Poderia muito bem não o ter feito, poucos homens terão sido tão livres quanto ele próprio. O mesmo não se pode dizer em relação às leituras que se venham a fazer do seu texto. O agente desta leitura, podendo afastar-se ou não da original, é diferente do autor do mesmo texto.


O mundo e tudo o que ele contém, até ao exacto momento em que o autor resolve escrever a palestra é resultado do Fiat e, tudo o resto; seja a acção criadora e filosófica do nosso Russel, seja a acção assassina, como no exemplo dado acima, é resultado da opção feita em cada momento, sendo estes decisores os responsáveis pelas decisões.


No Fiat, não desconhecia Deus que haveria lugar, no mundo que acabava de criar, para as acções más. O mundo criado compreendia uma entidade cuja vontade seria livre. O mal é resultado de uma vontade e de uma acção e opção da entidade Homem, quando por exemplo o assassinato tem lugar.


Podemos dizer que Deus criou a possibilidade de a natureza do mal se manifestar e dizer também que ao conceder o livre arbítrio, a manifestação da natureza do mal, cujo único agente é o Homem, não se confunde com a natureza e qualidade de Deus.

Publicado por terramann em abril 28, 2004 08:07 PM
Comentários

Uma visita "básica" para ver as novidades e desejar a um bom fim de semana. Bjs do Brasil

Afixado por: EmbaixatrizdoBrasil em abril 30, 2004 10:03 AM

No meu post cingi-me às críticas sobre Jesus Cristo, sobre o seu comportamento e testemunho. Sobre Deus, a conversa seria ainda mais complicada. Mas é um desafio para a próxima vez.

Afixado por: Orlando em julho 14, 2004 01:37 PM

Legal

Afixado por: Osvaldo em julho 24, 2004 11:42 PM